segunda-feira, 20 de março de 2017

Músicas Atuais com Características Simbolistas

Olá leitor(a), bem-vindo(a) ao meu trabalho de Literatura. O conteúdo da postagem de hoje será sobre músicas de caráter simbolista. Espero que esteja certo. Em breve falarei mais sobre o tema. Aqui estão algumas músicas:

Beatriz
Chico Buarque

Olha 
Será que ela é moça 
Será que ela é triste 
Será que é o contrário 
Será que é pintura 
O rosto da atriz 
Se ela dança no sétimo céu 
Se ela acredita que é outro país 
E se ela só decora o seu papel 
E se eu pudesse entrar na sua vida 

Olha 
Será que é de louça 
Será que é de éter 
Será que é loucura 
Será que é cenário 
A casa da atriz 
Se ela mora num arranha-céu 
E se as paredes são feitas de giz 
E se ela chora num quarto de hotel 
E se eu pudesse entrar na sua vida 

Sim, me leva pra sempre, Beatriz 
Me ensina a não andar com os pés no chão 
Para sempre é sempre por um triz 
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão 
Diz se é perigoso a gente ser feliz 

Olha 
Será que é uma estrela 
Será que é mentira 
Será que é comédia 
Será que é divina 
A vida da atriz 
Se ela um dia despencar do céu 
E se os pagantes exigirem bis 
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida

A Bela e a Fera
Chico Buarque
  
Ouve a declaração, oh bela
De um sonhador titã
Um que dá nó em paralela
E almoça rolimã
O homem mais forte do planeta
Tórax de Superman
Tórax de Superman
E coração de poeta

Não brilharia a estrela, oh bela
Sem noite por detrás
Tua beleza de gazela
Sob o meu corpo é mais
Uma centelha num graveto
Queima canaviais
Queima canaviais
Quase que eu fiz um soneto

Mais que na lua ou no cometa
Ou na constelação
O sangue impresso na gazeta
Tem mais inspiração
No bucho do analfabeto
Letras de macarrão
Letras de macarrão
Fazem poema concreto

Oh bela, gera a primavera
Aciona o teu condão
Oh bela, faz da besta fera
Um príncipe cristão
Recebe o teu poeta, oh bela
Abre teu coração
Abre teu coração
Ou eu arrombo a janela

O Rio
Ana Carolina

Eu vou atravessar o rio a deslizar
Que me separa de você
O tempo atravessa em meu lugar
E deixo pra depois o que eu tinha que fazer
O destino aceito sem dizer sim ou dizer não
Sem entender

E fica a sensação de saber exatamente porque menti
Eu sei de onde vim e pra onde irei 
ie, ie, ie, ie, ie
Mas com você eu fico sem saber onde estou
Nós dois que sequer nos parecemos
E não cabemos num mesmo espelho
Mas nos olhamos toda manhã
A ferrugem mesmo pouca
Corrói os trilhos
As ruas nos atravessam
Sem olhar pro lado
Estou em você

E fica a sensação de saber exatamente porque menti
Eu sei de onde vim e pra onde irei 
ie, ie, ie, ie, ie
Mas com você eu fico sem saber onde estou
Eu vou atravessar o rio a deslizar
Que me separa de você

O tempo atravessa em meu lugar
E fica a sensação de saber exatamente porque menti
Eu sei de onde vim e pra onde irei 
ie, ie, ie, ie, ie
Mas com você eu fico sem saber onde estou
Eu vou atravessar o rio a deslizar
Que me separa de você

Luz Dos Olhos
Nando Reis

Ponho os meus olhos em você
Se você está
Dona dos meus olhos é você
Avião no ar
Um dia pra esses olhos sem te ver
É como chão no mar
Liga o rádio à pilha, a TV
Só pra você escutar
A nova música que eu fiz agora
Lá fora a rua vazia chora...

Pois meus olhos vidram ao te ver
São dois fãs, um par
Pus nos olhos vidros pra poder
Melhor te enxergar
Luz dos olhos para anoitecer
É só você se afastar
Pinta os lábios para escrever
A sua boca na minha...

Que a nossa música eu fiz agora
Lá fora a lua irradia a glória
E eu te chamo, eu te peço: Vem!
Diga que você me quer
Porque eu te quero também!

Passo as tardes pensando
Faço as pazes tentando

Te telefonar

Cartazes te procurando
Aeronaves seguem pousando
Sem você desembarcar
Pra eu te dar a mão nessa hora
Levar as malas pro fusca lá fora....

E eu vou guiando
Eu te espero, vem...
Diga que você me quer
Porque eu te quero também
E eu te amo!
E eu berro: Vem!
Grita que você me quer
Porque eu te quero também!
Hei! Hei!...
Análise: Há melancolia no trecho  "Faço as pazes lembrando / Passo as tardes tentando/ Te telefonar" e caráter transcendental, pois a realidade é vista através de uma "névoa", sob a "luz da lua",basicamente é como se o eu lírico estivesse em uma atmosfera embaçada.

Libertar
Sandy & Junior

Libertar
Devolver ao mundo
Libertar
Conhecer
O ser humano a fundo
Libertar

Se há luz no horizonte
Se há vida em cada olhar
Conhecer, libertar
Se o coração se esconde
Tem medo de amar
Libertar e viver

Ser livre pra voar
Ser livre pra sentir
O amor que a lua ensinou
Ser livre pra mostrar
Que o céu é logo ali
Ser livre, ser o que sonhou

Meu destino é ser feliz
Nisso eu quero acreditar
Fazer tudo o que eu não fiz
Lutar por um lugar
No mundo e conseguir

Compare essa última músicacom os poemas a seguir:

Livre!
Cruz e Sousa

Livre! Ser livre da materia escrava,
Arrancar os grilhões que nos flagelam
E livre, penetrar nos Dons que selam
A alma e lhe emprestam toda a etérea lava.

Livre da humana, da terrestre bava
Dos corações daninhos que regelam
Quando os nossos sentidos se rebelam
Contra a Infâmia bifronte que deprava.

Livre! bem livre para andar mais puro,
Mais junto à Natureza e mais seguro
Do seu amor, de todas as justiças.

Livre! para sentir a Natureza,
Para gozar, na universal Grandeza,
Fecundas e arcangélicas preguiças.

 Cárcere das  almas
Cruz e Souza

Ah! Toda  alma  num cárcere anda  presa
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
Que chaveiro do Céu possui as chaves
Para abrir-nos as portas do Mistério?!

Análise:No poema  acima, o cárcere é  utilizado  para  simbolizar o corpo que representa uma prisão para a alma (“Toda alma num cárcere anda presa”). O eu lírico exprime seu desejo de transcender o corpo físico e superar os  limites  impostos ao ser humano, como se  pode  observar  nos versos “Que chaveiro do Céu possui as chaves/ Para  abrir-nos as portas do Mistério?!”. Note, ainda, que  o desejo de  superar  a  prisão física  é reforçado  em “Quando a  alma entre grilhões as  liberdades / sonha e,  sonhando, as imortalidades/ Rasga no etéreo Espaço da Pureza.” 
O  poema representa a concepção mística da vida –  uma característica típica do Simbolismo – e sugere que  nenhuma alma  é feliz. Tal  sugestão  é  apresentada por meio de  metáforas (“Toda alma num  cárcere anda presa”; “Ó almas presas, mudas, fechadas / nas  prisões colossais e abandonadas”). É bom  lembrar que  uma das   principais características do Simbolismo é a subjetividade; assim,  o  eu lírico  exige do leitor a   percepção de  que  o  cárcere é  utilizado  como   uma representação desse sentimento de  angústia que permeia  todo o texto.
 Créditos: www

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