segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Não, não, não


Eu acho que sou estranho porque quero discutir complexas questões existenciais com as pessoas. Quero aprender sobre isso e opinar. Mas meus amigos não conversam sobre isso. Eles burlam o assunto com suas doses de tequila e códigos sobre pessoas bonitas. Eu ando com as pessoas erradas. Eles não sabem o valor do dinheiro, esbanjam sem ter conseguido o dinheiro. Não se preocupam. Seus pais são liberais, os meus são tradicionais. Eu não saio, eu escrevo. Eu e meus amigos vamos para o barzinho e não fazemos nada além de conversar, e o assunto acabou. Estão loucos, loucos para beijar. Eu não sinto isso dessa forma. Eu não tenho ido à igreja. Meus amigos vão sem mim às vezes. Eu penso coisas absurdas às vezes, sobre como talvez eles me levem ao barzinho pelo fato de eu ser menos bonito e os olhares se voltarem para os outros componentes da távola. Eu me sinto bizarro, parece que nada em mim é normal. Meu cabelo, minha pele, meus olhos, meu nariz, minha mente. Meus gostos, minhas músicas, minhas redes sociais, meus livros. Meus parentes, minhas escolhas, minha visão, meus passos. Nada parece normal para os outros. Estou fadigado por isso. Não quero que me julguem. E talvez eu também não queira que me compreendam. Mas, vê só: eu não sei. Eu queria alguém para falar sobre a República de Platão, sobre Rosseau. Tão idiota, né? Isso tudo me preocupa. Os nãos que o mundo me dá. Eu também acho que não dei um sim pleno em todos esses anos. Somente tenho não, não, não

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